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08/05/2020 07:54
Arte e reflexão na blogosfera de Astral Melo pelo poeta Paulo Kauim.

 Arte e reflexão na blogosfera 

 

 

 

       Aprendi com o nosso mestre Jorge Mautner, a fazer arte para tomar o poder.

      A trajetória estética do Astral, mistura-se com a sua guerrilha política.

       Nos conhecemos no início dos anos 80. Nessa epoca, eu já identificava nele, um interesse muito sofisticado pela arte de vanguarda e a cultura popular.

       Seu gosto vai da poesia concreta, atravessa o Grande Sertão e brinca com os mestres da cultura popular.

       Ele sempre foi um leitor e um devorador de arte inquieto.

       No blog do Astral, o visitante navegante da internet vai encontrar fotografia, poesia e prosa. O visitante mais atento, identificará uma intersecção de códigos em sua poética.

       Internautas de todos os cantos do mundo, chegou a hora dessa gente de guerrilha estética mostrar seu valor.

 

 

          Evoé 

 

 

 

            Paulo Kauim ( poeta, arte-educador, tem pós graduação em arte, educação e tecnologias contemporâneas pela UnB )

 

conVerso

ConVerso

Vez ou outra

evaporo

poro a poro.

Em outras

submerso

verso a verso.

à mostra,

aberto,

inverto o inverso 

  •  

O Poeta e a poesia

Tenho medo da poesia

não da dos outros que queria minha

bela, lida, cantada e conhecida.

Temo a que de mim possa brotar.

Assim canto, leio e venero

 tudo que outros fazem de belo

como se produzisse e possuísse um pouco dela.

Quem sabe um dia farei um poema.

As vezes lamento não ser poeta,

não me expressar nesta forma os meus sentimentos,

mas amo cada verso que leio.

Agradeço aos poetas a possibilidade de ver com seus olhos,

No que escrevem,

o que é viver intensamente.

Fiz poucos e recolhidos textos em versos,

mas se não fosse a poesia,

nem o que esta escrito acima existiria.

conTexto

Leitura

Não gosto de ler começando na página um. Vou muitos uns depois. E vou adivinhando e inventado o que passou. Às vezes pulo uns pedaços.  Volto?  Talvez? Uma hora acaba.  Aí, vou no começo descobrir se nasci pra adivinho ou inventor. Na maioria erro, então inventei, mas, me diverti um bocado.

Recanto

O Rio do Ouro, parece, só tem nome. Notícias de alguma grama garimpada ninguém dá. Vivendo numa taperinha, nas pirambeiras que lhe dão acesso, conversa com passarinhos, Cobras e lagartos, vez ou outra são as araras.
De quando em quando: tucanos e as siriemas na sua bela correria. Tem, também, o sabiazinho laranjeirinha, meu grande amigo, e um dos poucos, nestes tempos. Fica cantando, eu escutando. Vez o outra mexo a terra adubada para que ele encontre umas minhocas. Tem uma vasilha d’água par que não tenha de viajar muito para beber. Vez ou outra falo. Nada importante. Assim vai a vida. Tem as cobras: Jararaca, Cascavel, jibóia. Alguns calangos e teiús. Uma fogueira na noite fria, O sol se pondo em braseiro, e nascendo preguiçoso. Um pé de porco no fogão à lenha, uma água de cisterna. Acordar com a algazarra das curicacas e dormir na sua volta barulhenta quando começa a escurecer. Assim é tão boa a vida com toda a paz da lonjura da cidade.

Posto Pontal

As ruinas do Posto Pontal ficam na margem oeste do Rio Paracatu na BR 040, na fachada, observa-se a tentativa rústica de copiar os arcos dos palácios da nova capital. Em 1966 dormi aqui quando migrava para Brasília. Um dia de viajem para deslocar 200 km num caminhão velho Mercedes Benz “cara chata”. Eu minha mãe e o motorista. Descobri, décadas depois, que foi por estas bandas que Riobaldo Taturana enfrentou o demônio, numa encruzilhada, venceu e provou que ele não existia. O diabo no meio do redemoinho. Este Paracatu tem segredos escondidos em túmulos e muitos ainda para neles guardar.

Furnas

Numa furna, onde entraste por vontade própria encontra-se impossibilitado de ver qualquer coisa. Na maior solidão imaginável. Só um silêncio extremado. Pensar o passado. Sem futuro. Sem visão. O que permite algum sentimento é o tato. O que leva alguém para tal esconderijo? Desespero? Desilusão? Ou apenas o prazer de ficar só? Ali ele não se ilude mais, não há expectativa apenas a leve impressão de ver o tempo passar. Distante de tudo, mudo. Não sabe mais se uma palavra é capaz de pronunciar. Passado um tempo, neste exílio, não remoe o passado, pelo contrário sonha com possibilidades. Herético, procura caminhos. Esquece avida que ficou seus instantes de felicidade e também de tragédias. Na verdade, passou o tempo se escondendo de si, temendo as críticas pouco realizou. Nesta gruta escura procura seu reflexo como se isto fosse possível na penumbra. Cada passo não dado, cada vontade que enfumaçou foram-se. A solidão por escolha onde não pode ser encontrado. A paciência que nunca teve é necessária neste momento. Sem poder de agir sobre o exterior, sem conhecimento do que ocorre lá fora, mas livre, inclusive de si, espera o tempo passar.

SEM RAZÃO.
Porque o texto é assim? Porque é diferente dos outros? Se fosse igual não precisa ser escrito. Se fosse do mesmo jeito já estaria pronto, perfeito: sem nenhum defeito. Era só  pegar na prateleira. Agora, assim, cheio de senões, impreciso. É serviço raro ou falta de juízo.

  • 
  • com Foto

     

     

    Ipê Olhos D’água

     

     

Publicado por Astral Melo

ACESSE:https://astralmelo.wordpress.com/

 

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