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Meu caro Ivaldo Cavalcanti,
Muitos amigos têm me
escrito, manifestando solidariedade e preocupação, com relação
à agressão que um determinado entrevistado do seu jornal
--Olho de Águia-- fez a mim, em entrevista. Gostaria de pedir a
sua colaboração, no sentido de colocar em seu site a resposta
que tenho dado a eles e minha opinião sobre essa desagradável
questão:
Muitos me perguntam se li a tal entrevista. Na verdade, acho que li, porque
as palavras que lá estão são praticamente incompreensíveis,
devido à dificuldade que o tal Bittar possui em lidar com a língua
portuguesa e com o próprio raciocínio.
Bittar chama fotógrafos de digibobos, não é? Não
entendi. E diz que eu, Brito, deveria ficar calado. Eu não sabia
que está agora mais preocupado em fazer o papel de censor do que
exercer sua quase função: tomador de conta dos fotógrafos
do jornal em que trabalha.
Sempre li, sempre conheci e sempre fui adepto das novas tecnologias, em
especial a fotografia digitalizada. Por estar atualizado todo o tempo
com a modernidade, eu não poderia deixar de, inclusive, adotá-la
como meio de trabalho, como acontece na minha empresa, onde temos várias
--eu disse várias-- câmaras digitais. E garanto que sabemos,
todos que comigo trabalham, operá-las com muito maior capacidade
do que esse senhor, conhecido por seu velho recalque e desprezível
sentimento de inveja em relação àqueles que sempre
fizeram sucesso.
O que escrevi na Revista Imprensa é que, com a chegada dessa nova
maneira de gravar com imagens, surgiu também uma nova palavra,
um neologismo: digígrafo. Escrevi que Henri-Cartier Bresson, por
exemplo, com uma simples e mecânica Leica consagrou-se no século
que agora termina.
Fiquei triste em ver alguém que se diz do mercado jornalístico,
se preocupar com o "salário de ministro" de alguns fotógrafos.
Imaginei que, ao contrário, fosse se preocupar com o salário
de gari que, infelizmente, alguns companheiros percebem.
Quanto ao indigitado Bittar estar temerário pelo futuro daqueles
que brilham com fotografias, numa possível alusão a mim
e a outros fotógrafos (como os consagrados Pedro Martinelli, Evandro
Teixeira e outros), tenho a dizer o seguinte: dispenso, com toda segurança,
tal preocupação. Comiseração, ou seja, pena,
tenho eu em relação a ele, que sempre sonhou em aprender
a bater retrato. Para lembrar, uma coincidência, Evandro e Martinelli
publicaram neste ano, dois importantes livros de fotografia no Brasil.
Até sugiro ao senhor Bittar que procure melhorar seu minúsculo
conhecimento sobre o tema, apreciando-os, ao invés de preferir
desconhecê-los.
Uma coisa, no entanto, lhe deve ser reconhecida. O espírito de
luta e tenacidade para permanecer no meio fotográfico. E desde
os tempos em que, esse senhor se mostrava exímio bajulador à
minha procura, em busca de um emprego. Emprego, diga-se, que lhe ofereci
devido ao meu absoluto senso de humanidade, grande benevolência,
solidariedade humana e misericórdia. Lamentei muito, depois, saber
que o referido senhor não conseguira manter-se, por extrema falta
de condições profissionais.
Eu poderia perder mais tempo na defesa dessa desagradável agressão
que sofri. Mas tenho muito trabalho, especialmente porque estou envolvido
com o fechamento de dois livros que estarei lançando ano que vem.
Temo, inclusive, que o sucesso das duas obras poderá, mais um vez,
fazer morrer de inveja alguns pobres diabos.
Obrigado,
Orlando Brito
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