Jornal Olho de Águia - Ano 02 - Brasília - Distrito Federal - Novembro/Dezembro - 2002
 

CENA URBANA

N E L S O N
J U N I O R



Breve relato de um Repórter Fotográfico 

    A entrar no Departamento Fotográfico do  jornal _Ultima Hora_ a procura de emprego em 1986, não poderia imaginar que ali se daria o início de minha vida profissional. Secar fotos naquele tambor metálico quente foi minha primeira tarefa. Logo, comecei a  identificar material, passar telefoto, entregar fotos nas editorias, até que em um estágio de maior confiança dos fotógrafos, entre eles; Nélio Rodrigues, Eugênio Novaes, Ronaldo de Oliveira e Yuggi Makiuchi, passei a trabalhar no laboratório, e hoje entendo suas preocupações com um novato manipulando seus filmes e fotos. 

     Lembro que na época alguns profissionais defendiam a importância de se passar pelo laboratório antes de se tornar um repórter fotográfico, Eugênio Novaes sempre discordou,  mas também não acredito que fosse regra básica, mesmo porque presenciei muita gente chegando com equipamento bacana  indo para a rua fazer suas _pautas_, e quando voltavam já apresentava uma série de desculpas  antes mesmo do material ser revelado. Através deste estágio no laboratório, conheci em primeira mão _Grande Fotos_ de (minha opinião) grandes fotógrafos  e aprendi a distinguir o que é  bom, razoável e uma merda ( que dependendo de quem seja tem seu espaço).

     Minha  primeira pauta, sem incluir bonecos na redação e as malditas reproduções do 2: caderno, foi uma manifestação no Hospital de Base, cumprida na medida do possível com uma Pratéka, me lembro da ansiedade e nervosismo decorrentes da necessidade de voltar com uma boa foto.

      E com o tempo,  a adrenalina e o prazer substituíram os primeiros sentimentos de temor, até nas pautas mais simples me força a um exercício diário técnico e intelectual, me afastando da mesmice e acomodação.

     Me considero hoje  um fotógrafo tranqüilo, não com o mercado mas com minhas capacidades, tentando manter profissionalmente, como em minha vida particular (já que vários passaram a fazer parte dela) meus muito amigos jornalistas, de imagem ou de texto.

     Mas esta profissão, que me aguçou a percepção, que me fez conhecer  tantas pessoas,  que me levou a lugares inimagináveis ao cidadão comum, me faz diariamente lhe dirigir um pensamento de gratidão por tudo que me deu e me dará.

Nelson Jr.

njunior@tse.gov.br

 

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Fotos e texto Stela Cramer
salecsoc@resenet.com.br