Saulo Cruz.

Meu nome é Saulo Cesar da Silva Cruz. Para assinar minhas fotografias uso Saulo Cruz. Tive a grata satisfação de conhecer Ivaldo Cavalcante, o espírito-que-anda de Taguatinga, quando ainda era assistente do austero fotógrafo Jorge Campos. Comecei minha formação por lá.
No estúdio do Seu Jorge – como era mais conhecido o rígido Jorge Campos – eu fazia muita merda. Errei muito e tomei muita bronca. Muita bronca mesmo. Perdia fotografia do arquivo, apagava foto sem querer, formatava cartão sem poder, esquecia os nomes dos ministros, errava configuração de equipamento... pra mim diafragma era contraceptivo feminino. Eu nunca sabia quando o Seu Jorge me pedia alguma coisa séria ou de gozação. Ele chegava e dizia: “Saulo, monte o estúdio no Salão Nobre” – nessa época a gente trabalhava para o STJ – Superior Tribunal de Justiça. Eu não entendia para que diabos montar o estúdio no meio do local dos eventos sociais da corte. Simplesmente executava. Montava as cabeças de luz, verificava as distâncias, montava aqueles softboxes enormes – aquela dificuldade de encaixar as varetas todas no lugar certo... sem trocadilhos, por favor! – montava o fundo infinito... Aquela coisa toda. Aí ligava pro Seu Jorge: “Seu Jorge, tá pronto”. E ele: “Agora desmonta e trás de volta.” Mais pra frente ele admitiu que queria que eu aprendesse e que fosse além dele. :-O
Para aprofundar um pouco mais, posso afirmar que entrei em contato com a fotografia no quartel que servi: o CIGE – Centro Integrado de Guerra Eletrônica , do Exército. Ele fica alí atrás de Sobradinho. Lá caí num setor - A SGMAI (não lembro mais o que significa essa sigla) - que lida justamente com o apoio da comunicação social daquela unidade militar.
Meu segundo chefe foi o Luiz Carlos Xavier. Aprendi muito da fotografia mais institucional. Nessa época tive a oportunidade de sair do estado larval estagiário e passei a fotografar. Trabalhávamos para o TCU – Tribunal de Contas da União e para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. E fazíamos muitos batizados, crismas e mais o que aparecesse pela frente.
Sempre possuí um respeito enorme por todas as pautas em que trabalhávamos. É necessário entender o significado da ritualística - seja ela num templo católico, num terreiro de umbanda ou numa corte de contas. Daí a diferença de uma imagem para outra: quando você consegue chegar à síntese da dialética entre Studium e Punctum, como falado naquele livro “A Câmera Clara”, de 1985, do Barthes. A busca da imagem perfeita, para nós, criadores, passa pela análise fria da luz, enquadramento, efeitos fotográficos. Já para quem vê a foto depende de caracteres mais subjetivos, quais emoções tratam a imagem em questão. O que desperta de seus sentimentos. O equilíbrio desses fatores é o que resulta numa boa fotografia.
Então caí no mundo. Eu vivo de fotografia. Condecoração com medalha, solenidades formais ou malucas, casamento, adultério, fotografia de banda de rock, bandas evangélicas e aniversários de crianças – sendo esse último as pautas mais divertidas, sempre.
Recentemente comecei a registrar os paraolímpicos das fotos a seguir. Acrescentam-me em todos os sentidos, são pessoas extremamente vencedoras, desde o início. Aprendo todos os dias com eles e comigo mesmo.
E acredito que, em fotografia, sobre tudo o que já se foi falado, o oposto também é verdadeiro.

Saulo Cruz
E-mail: saulocesarcruz@gmail.com